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Por Waléria Fortes

O Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (Obteia), vinculado ao Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Universidade de Brasília (NESP/CEAM/UnB), foi criado para avaliar a implementação da política nacional, dos indicadores, de novos métodos de análise, pesquisas quantitativas e qualitativas, bem como para contribuir com sua implantação por meio de uma teia de saberes e práticas que envolve movimentos sociais do campo, da floresta e das águas, intelectuais engajados, pesquisadores populares dos movimentos sociais do campo, da floresta e das águas, gestores e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta tem o objetivo de garantir o direito e o acesso à saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando seus princípios fundamentais de equidade, universalidade e integralidade. Essa política abre caminhos para incluir as peculiaridades, especificidades e necessidades em saúde dos trabalhadores rurais, povos da floresta e comunidades tradicionais.

De acordo com Fernando Carneiro, coordenador do projeto (NESP/UnB), a característica mais marcante do observatório é a forma de produção do conhecimento. “Buscamos não nos fixar na forma hegemônica de fazer ciência – em que se estabelece relação sujeito e objeto de pesquisa –, mas trabalhar a partir da relação sujeito e sujeito”. O coordenador ressalta ainda que a grande produção científica do Obteia deu-se na edição especial da Revista Tempus Actas com a publicação sobre “Ecologia de Saberes e Saúde do Campo, da Floresta e das Águas”. “Tivemos a oportunidade de publicar artigos de todo o Brasil e de outros países, como África e Colômbia, e explicar a metodologia do observatório. Somos umas das principais referências de pesquisa na internet nesta área”, declara.

O observatório recentemente passou por uma reformulação. Atualmente, os projetos foram divididos em três grandes eixos, todos convergindo para um processo de avaliação e monitoramento da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas. No primeiro, Articulação e Mobilização, os projetos estão focados no semiárido, na rede de saúde, água, saneamento e direitos humanos. Neste eixo, será feita uma aproximação com o processo de construção da Política Nacional de Saneamento Rural para facilitar o acesso à água e ao esgoto para a população do campo. Fernando Carneiro afirma que, em relação à construção de indicadores, será realizada uma oficina ainda este ano voltada para este setor, com o intuito de potencializar a tomada de decisões.

O segundo, Pesquisa e Produção de Conhecimento, conta com algumas avaliações de programas específicos, como o saneamento ambiental rural e o programa Um Milhão de Cisternas, políticas que importam para a população rural e potencializam a avaliação de outros programas sociais. “A meta é buscar parceria com a Fundação Oswaldo Cruz/ Bahia (Fiocruz) para analisar a base de dados relacionada ao CadÚnico (cadastro único) e criar mapas temáticos que possam ser disponibilizados como mineração de dados, refazendo esse mapeamento da saúde”, finaliza.

E no terceiro eixo, Comunicação e Divulgação, o observatório, além de publicar reportagens especiais no portal, lançará um livro no segundo semestre de 2017 com os resultados de suas pesquisas. Mas os planos para o futuro não param por aqui. Ainda nesse eixo, a ideia é criar a Biblioteca Virtual voltada para o tema de Campo, Saúde e Floresta. “Será um desafio nos próximos três anos trabalhar com essa série de produtos”, destaca Carneiro.

Conforme o comitê gestor, uma das principais expectativas é de que o Obteia sirva como instrumento de luta dessas populações pela melhoria de vida. E tem como proposta de futuro radicalizar o processo de exclusão por meio de mapeamento e produção de indicadores potencializando as políticas de equidade. “A violência no campo aumentou significativamente este ano, no Brasil, com vários assassinatos associados a disputa de terra. Isso mostra que estamos lidando com populações vulneráveis e que sofrem todo tipo de exclusão”, conclui Fernando Carneiro.

 
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