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Em breve entrevista ao NESP, a especialista Verônica Abdala avalia o cenário do acesso à informação em saúde no Brasil

 

Por Gabriela Lobato

Em comemoração dos dez anos do periódico Tempus Actas de Saúde Coletiva, o Núcleo de Estudos em Saúde Pública do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília (NESP/CEAM/UnB), realizou uma série de entrevistas com personalidades do meio científico e acadêmico, abordando assuntos pertinentes a Saúde Coletiva. Diante da importância e relevância da promoção e do acesso à informação em saúde no Brasil, nossa equipe conversou com a especialista no tema, Verônica Abdala.

Carmen Verônica Mendes Abdala possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduação em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalha no Centro Latino-Americano de Informação em Ciências da Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (BIREME/OPAS) desde 1991, onde é encarregada da área de serviços e fontes de informação. Possui vários trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais da área de saúde e de informação, bem como artigos publicados sobre acesso à informação em saúde. Coordena atividades de cooperação técnica nos países da América Latina na área de gestão de serviços de informação e de promoção de acesso à informação em saúde no âmbito da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).

 Confira a entrevista na íntegra.

 Sabemos que o acesso à informação científica e técnica em saúde é essencial para o desenvolvimento dos sistemas de pesquisa, educação e atenção à saúde, contribuindo também para os avanços sociais necessários à qualidade de vida. Diante do exposto, quais ferramentas a BIREME tem buscado para promover o acesso e uso da informação em saúde?

 Verônica Abdala: Há 50 anos a BIREME oferece cooperação técnica orientada ao cumprimento de uma única missão: democratizar o acesso a informação, conhecimento e evidência em saúde na região da América Latina e do Caribe. Desenvolveu suas atividades acompanhando a evolução das tecnologias de informação e comunicação e por meio de diferentes estratégias, programas e projetos, todos sustentados pelo trabalho em rede, desenvolvimento de capacidades locais (bibliotecas), acesso aberto à informação e o empoderamento dos usuários de informação, isto é, com foco no usuário.

 Atualmente, e já há algum tempo, a internet é o espaço principal para disponibilizar e operar os produtos e serviços de informação em saúde desenvolvidos pela BIREME, que são oferecidos aos usuários na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). O Portal Regional da BVS (www.bvsalud.org) oferece acesso a uma ampla coleção de fontes de informação em saúde, a maioria vindo de bases de dados bibliográficas com referências de documentos científicos e técnicos, com mais de 26 milhões.

 Entretanto, a disponibilidade da BVS por si só não garante que a informação seja buscada e utilizada por todos os usuários dos sistemas de pesquisa, educação e atenção à saúde. Assim, a BIREME já está centrando esforços para o desenvolvimento de outras ações e ferramentas para facilitar o acesso e, principalmente, o uso da informação nos processos de tomada de decisão desses diferentes sistemas, como aplicações para telefonia celular, desenvolvimento de produtos com tradução do conhecimento, desenvolvimento de interfaces de busca mais amigáveis e inteligentes, entre outras.

 

Em sua opinião, o que significa democratizar o acesso à informação em saúde?

 Verônica Abdala: Significa oferecer serviços e produtos com informação atualizada e relevante para atender às necessidades e prioridades de saúde dos países da América Latina e do Caribe, considerando os diferentes contextos da região. Sabemos que em determinadas localidades não há acesso à internet ou, quando existe, o preço pode ser uma barreira. Já o celular está cada vez mais disponível. Portanto, se queremos democratizar de fato o acesso à informação em saúde, há que se facilitar o acesso para celular.

 

Quais ações são necessárias para dar mais visibilidade às bibliotecas virtuais em saúde e torná-las mais acessíveis a todos os cidadãos, inclusive leigos?

 Verônica Abdala: São algumas ações, e parte delas requer um desenvolvimento importante. Além de ampliar o acesso via telefonia celular e melhorar a cobertura de conteúdos relevantes para os contextos dos países da nossa região, eu considero fundamental ampliar a oferta de produtos de tradução do conhecimento, sistematizando e empacotando a informação de maneira a facilitar, para os usuários das bibliotecas virtuais, a análise e aplicação da informação nos seus processos diários de tomada de decisão em saúde.

 O movimento do acesso aberto e, mais recentemente, o movimento da ciência aberta são iniciativas importantes e que devem estar cada vez mais vinculadas e integradas às bibliotecas virtuais. Não se faz ciência sem acesso ao conhecimento científico. O conhecimento científico é global e deve estar cada vez mais aberto e disponível, mas sua aplicação será sempre a nível local.

 Mas não posso deixar de mencionar que as bibliotecas virtuais, hoje, oferecem muito pouca informação para os cidadãos, incluindo-se os leigos. A informação que predomina é de caráter científico e técnico, boa parte em inglês. Portanto, se queremos alcançar esse tipo de usuário, há que se trabalhar essa informação para que seja de utilidade a esses usuários.

 

Em seu ponto de vista, como é o acesso à pesquisa e informação em saúde no Brasil quando comparado aos outros países da América Latina?

 Verônica Abdala: Considerando os indicadores de acesso à informação em saúde a partir do número de visitas e de páginas visualizadas do Portal Regional da BVS, o Brasil é o país com maior indicador, com 70% dos acessos, cerca de 12 milhões de visitas por ano. Mas, se levamos em conta o tamanho da população dos países, para relativizar este indicador, ainda assim são os usuários do Brasil que mais se beneficiam e acessam a BVS.

 Olhando para outro indicador, por exemplo, o número de revistas científicas de saúde latino-americanas publicadas, o Brasil é o país com maior número de publicações indexadas no MEDLINE e no LILACS.

 Apesar dessa vantagem numérica do Brasil em comparação a outros países da América Latina, não podemos afirmar que o acesso à informação em saúde no Brasil é amplo, democrático e equitativo. Há muito que se avançar para a criação de uma cultura do uso da informação, principalmente no nível da gestão e cuidado à saúde, além dos desenvolvimentos já mencionados. A missão da BIREME segue atual e necessária!

 
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