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Por Waléria Fortes

As políticas de saúde para as populações do campo, da floresta e das águas no Brasil estiveram relacionadas historicamente aos interesses econômicos, pois, bem fomentadas, forneceriam recursos naturais por meio de mão de obra sadia. Os maiores avanços dessas políticas ocorreram nos períodos em que os trabalhadores rurais estiveram mais organizados. Atualmente, como resultado desse processo, permanece a descontinuidade das ações e dos modelos que não se consolidaram, e uma fragmentação de iniciativas que contribuem para altos níveis de exclusão e de discriminação das populações do campo, da floresta e das águas pelos serviços de saúde.

 O Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas – Teia de Saberes e Práticas (Obteia) reúne em seu novo livro experiências e processos de pesquisa que contribuem com o tema da saúde rural brasileira, oferecendo a profissionais da atenção básica à saúde, gestores do Sistema Único de Saúde e movimentos sociais uma análise da situação da saúde e dos desafios e possibilidades de implementação de ações que impactem positivamente a qualidade de vida dessas populações. No livro, os autores debatem aspectos relacionados à determinação social da saúde das populações rurais, tais como: acesso à saúde e implantação de programas e políticas que promovem a saúde; violência contra a mulher camponesa; e insuficiência dos sistemas de informação em saúde em registrar dados para a tomada de decisão e o cuidado em saúde para essas populações. Apresentam, também, um panorama nacional da situação de saúde das populações do campo, da floresta e das águas.

De acordo com Fernando Carneiro, coordenador do Obteia, o lançamento do livro representa a síntese das pesquisas do observatório desde sua primeira fase em 2012 até o ano de 2015. O livro traz em seus trabalhos pesquisadores populares e acadêmicos e parcerias com movimentos sociais – o que, em metodologias participativas de pesquisa, já faz toda a diferença –, e abrangeu mais de dez territórios, com amplitude alcançada de Norte a Sul do país, da Ilha de Marajó ao Rio Grande do Sul, envolvendo os principais movimentos sociais do campo, da floresta e das águas, MST, extrativistas, Movimento de Mulheres Camponesas, Movimento de Pequenos Agricultores e outros. É notável também a participação de revisores acadêmicos e populares. “Este livro é diferente em diversos aspectos e traz várias inovações”, afirma Fernando.

Segundo o coordenador, o livro dá visibilidade à população e aos territórios quanto a vulnerabilidade, desigualdades sofridas e lutas que estão sendo desenvolvidas. Será realizado ainda, de acordo com Fernando Carneiro, um processo devolutivo nos territórios e comunidades nos quais for lançado o livro. “Faremos um documentário em vídeo e também um caderno popular que, ao final do processo, será a tradução de todo trabalho com linguagem mais apropriada e menos cientifica”, finaliza.

O livro será lançado na próxima segunda-feira, dia 9 de outubro, às 17h, durante a Conferência Livre de Vigilância em Saúde das Populações do Campo, da Floresta e das Águas, realizada nos dias 9 e 10 de outubro na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Brasília. No evento, serão discutidos temas sobre agrotóxicos, água e outro modelo de desenvolvimento do SUS para essas populações, baseado na agroecologia e no desenvolvimento local sustentável. A expectativa é que a conferência traga desdobramentos, dando continuidade ao trabalho, principalmente sobre água, que é uma questão central de saúde para os brasileiros.

 
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