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A Bagagem das Mulheres da Floresta: ações de prevenção das IST, do HIV/AIDS e das hepatites virais e o fortalecimento da participação e do controle social foi tema do encontro realizado esta semana em Brasília, na Casa de Retiros Assunção

Por Waléria Fortes

 

Em pauta, a estratégia, denominada “Prevenção Combinada” de combate às infecções sexualmente transmissíveis (IST), do HIV/AIDS e das Hepatites Virais, contou com a participação da Diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/AIDS e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken. Alguns dos temas abordados no encontro foram: a sexualidade e os direitos sexuais reprodutivos; a atuação na comunidade no contexto da Prevenção Combinada; como elaborar um processo de prevenção integrada – este sendo tema relacionado à Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas, o qual também inclui entre seus objetivos levar informações e conhecimentos em saúde à população local.

Além da participação de Adele Benzaken, o evento contou com a presença de Marcos Peixinho, diretor substituto do Departamento de Apoio à Gestão Participativa e ao Controle Social (DAGEP); Ângela Mendes, diretora da Secretaria de Mulheres do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS); Cristina Maia, da Coordenação-Geral de Apoio ao Controle Social, à Educação Popular em Saúde e às Políticas de Equidade do SUS (DAGEP); Fátima Cristina da Silva, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas; Ivo Brito, das Ações Estratégicas do Ministério da Saúde (DIAHV); e representantes comunitários de 13 estados do país.

De acordo com a técnica do Departamento de Apoio à Gestão Participativa (SGEP/ MS), Fátima Cristina Maia, que acompanha a política integral das populações do campo, da floresta e das águas, a oficina é um marco para essas mulheres. A demanda, que estava reprimida desde 2004, volta ao cenário para ser trabalhada e concretizada com o objetivo de trabalhar prevenção, articulação com gestores, estratégias e ações, além de comunicação. “Temos uma dívida com essa população que sempre está às margens das políticas públicas. Esse momento é único para cada uma das 25 mulheres presentes. Temos dificuldade de adentrar as florestas, e elas trazem, juntamente às políticas de saúde integral, os vazios assistenciais que estão nessas regiões”, afirma a técnica. O evento reuniu 25 mulheres, jovens em sua maioria, com liderança e representatividade nas Reservas Extrativistas (RESEX), que tomaram conhecimento das políticas públicas que poderão trabalhar em seus territórios, ampliando seu conhecimento sobre cada uma destas.

A técnica afirma ainda que há necessidade de articulações com gestores e de integração das ações, com trabalhadores da saúde trazendo suas especificidades. “Precisamos estar próximos aos gestores para que essas ações aconteçam nos territórios. E, de resultado, espero que seja retomado o mais rápido possível, que possamos trabalhar juntos, integrando as ações, levando a informação para a comunidade e diminuindo os índices dos indicadores de saúde que foram apresentados dessas populações”, conclui.

Segundo Ivo Brito, responsável pelo departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, esse encontro é a retomada de um projeto que ocorreu anos atrás, em que populações com pouco acesso a saúde se encontravam num contexto sanitário de isolamento e vazio assistencial. “O que nos mobilizava eram as condições em que essas pessoas se encontravam e as dificuldades de acesso, tanto para as informações quanto para o acesso aos serviços”. Esse é um dos projetos com maior destaque, contando com engajamento das mulheres da floresta, principalmente pelos resultados alcançados. Em uma avaliação externa e outra do próprio departamento, constatou-se que esse projeto poderia ser reproduzido para outras comunidades, levando em conta os resultados promissores e a premiação de um vídeo na Inglaterra, no qual é relatado a prática dessas mulheres, a forma como atuam na comunidade, seus saberes populares e as diferentes estratégias que encontraram para lidar com a população. “Há temas difíceis de serem tratados – por exemplo, sexualidade. E essas mulheres encontraram táticas para tratar disso em comunidades tradicionais. E isso fica evidente nas estratégias que acharam a partir de suas próprias realidade. E isso nos motivou a retomar o projeto numa conjuntura em que percebemos que há um esquecimento das políticas públicas nesse segmento populacional.”

De acordo com Ivo Brito, no Ministério da Saúde há uma diretriz e uma política nacional, mas infelizmente as mesmas não têm se concretizado. “A ideia é retomar esse trabalho, nesse contexto de uma política nacional em que existe uma política de equidade no âmbito do SUS, e fazer desse movimento, dessa iniciativa de oficinas um leque de oportunidades para influenciar e dar um novo corpo às ações que hoje vêm sendo desenvolvidas para essas populações nessas condições no âmbito do Sistema Único de Saúde”, conclui.

Rosemária Monteiro do Rosário, moradora da região do Salgado, cidade de Maracanã-PA, presidente da Reserva Extrativista e diretora do CNS, afirma que é de suma importância esse projeto com as oficinas. “Ganhamos conhecimento e isso é maravilhoso. A maior parte das moças que estão aqui representando suas reservas não conheciam as prevenções que nos foram apresentadas hoje. Inclusive estamos solicitando por escrito às comunidades que já possuem esse projeto Bagagem das Mulheres. E creio que podemos levar esse projeto para Maracanã.”

A participação de 13 nas oficinas desse projeto reforça a necessidade de essas populações serem assistidas pelo governo. “Estamos gritando por socorro, temos direito a assistência em saúde. Compartilhamos nossas necessidades e esperamos retornar à nossa comunidade com esperança de que esse projeto alavancará e mudará nossa situação. Esse projeto pra nós representa luz e esperança”, conclui Rosemária Monteiro.

Durante o encontro foram discutidas ações de comunicação, planejamento, estratégias e dinâmicas em grupo; foi criada também uma proposta, a partir do que idealizam para os municípios, a qual será apresentada ao governo como forma de reivindicação. Foi criada ainda uma mandala para simbolizar a troca de experiências do movimento e dos trabalhos com a saúde da população da floresta e das águas.

 
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