A área de conhecimento denominada “saúde da população negra” constitui o campo em que as relações entre raça e saúde vêm sendo objeto de reflexão e intervenção política. Neste campo, as condições de saúde de mulheres negras merecem especial atenção, uma vez que as representações sociais negativas sobre seus corpos informam a maneira como são vistas e a consequente desigualdade de acesso aos direitos em saúde: negligência, insultos e má qualidade dos serviços. É preciso reconhecer que as discriminações de raça, gênero, classe e outros marcadores sociais não são fenômenos mutuamente excludentes e estão relacionadas às diversas formas de violência e riscos de saúde. Considera-se que, na oferta dos serviços públicos de saúde, há a limitação de acesso e/ou a não garantia de direitos universais das mulheres negras. Tal situação marca o processo de luta das mulheres negras no Brasil por melhores condições de saúde, como bem apresentado no Manifesto da Marcha das Mulheres Negras 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. O objetivo da atividade é acolher propostas que abordem os diversos aspectos da saúde das mulheres negras, considerando o racismo como determinante no acesso e qualidade dos serviços de saúde. A referida ST propõe a discussão sobre o papel dos feminismos negros na reivindicação de políticas públicas que visem dirimir a desigualdade entre usuárias negras e brancas no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS); a necessidade da abordagem do racismo nos instrumentos legais de combate à violência contra as mulheres, uma vez que este também constitui fator de produção desta violência; a relação entre as vivências afetivo-sexuais e a saúde mental de mulheres negras, na compreensão de que as práticas de autocuidado são importantes geradoras bem-estar.

Inscrição de proposta de comunicação oral no site do evento até 24/05/2018.